Krenak PDF Imprimir E-mail
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O povo crenaque (krenak) pertence à grande família botocudo e vive no Município de Resplendor, no Vale do Rio Doce. A  população é composta de 150 indígenas, que ocupam uma área demarcada de 4.200 hectares, conquistada após anos de luta. Os índios do rio Doce (borum do watu), como são conhecidos, buscam reconquistar  parte de suas terras para continuar o seu projeto de vida.Mantém sua tradição cultural (língua, dança, pintura e religião). Falam a língua  Borun, pertencente ao grupo lingüístico Macro-Jê.

Os crenaques são os últimos Botocudos do Leste, nome atribuído aos grupos que usavam botoques auriculares e labiais. São conhecidos também por aimorés (denominação dada pelos tupis), e por Krén, sua auto-denominação. Foram vítimas de constantes massacres declarados como “guerras justas” pelo governo colonial.

Hoje, vivem numa área reduzida, duramente conquistada, localizada na margem esquerda do rio Doce, em Minas Gerais. A reserva de 4.000 hectares foi criada pelo SPI, que ali concentrou, no fim da década de 1920, diversos grupos botocudos do rio Doce, incluindo os gruticraques (gutkrák), um grupo do qual os crenaques haviam se separado. O nome crenaque é uma homenagem ao líder do grupo que comandou a cisão com os gruticraques, no rio Pancas, Espírito Santo, no início do século XX.

O território original dos botocudos era a Mata Atlântica, no Baixo Recôncavo Baiano. Foram expulsos do litoral, pelos tupis, e passaram a ocupar a faixa de floresta paralela, localizada entre a Mata Atlântica e o rebordo do Planalto. Depois do século XIX, deslocaram-se para o sul, atingindo o rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Na época do contato com os portugueses, por volta de 1910, os crenaques eram predominantemente caçadores e  seminômades, com uma organização social caracterizada pelo constante fracionamento do grupo, pela divisão do trabalho por sexo e idade. Possuíam um sistema religioso centrado na figura dos Marét e dos espíritos encantados de seus mortos, os Nanitiong, considerados responsáveis pela fecundação das mulheres humanas e por emitir avisos de morte entre eles. Os Marét, habitantes das esferas superiores, eram os principais ordenadores dos fenômenos da natureza.

Fontes: www.cimi.org.br, www.wikipedia.org, www.socioambiental.org.

 
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